Era para ser um filme de terror, com tudo o que um bom filme do gênero pode oferecer. Clichês bem aproveitados, sangue falso aos galões e uma história minimamente amarrada. Mas ele vai divertidamente além disso. Aliás, é interessante falar sobre diversão neste ponto. Há filmes de terror que procuram somente assustar; são sérios e mesclam situações de terror e suspense. Eu gosto deles; mas acho ainda melhor quando o terror é mesclado à comédia. Serve para nos lembrar de muitas coisas: nossa fragilidade, nossos antagonismos, e por aí vai. É o caso do filme ora comentado.
A comédia dá a tônica tanto quanto o terror, e isso é muito divertido. O filme, desde o início, faz inúmeras referências a outros filmes de terror; em especial "Evil Dead", de Sam Raimi, o insuperável exemplo de jovens numa cabana prontinhos para virar carne moída na mãos de sádicos monstros, fantasmas, zumbis ou coisa que o valha.
Até aqui, sem novidades. O que "Cabin In The Woods" faz de original é reunir referências do terror/comédia e do terror/suspense numa clara e merecida homenagem, contextualizando-os todos numa improvável embalagem única. Não quero estragar as surpresas do roteiro, mas leia novamente esse texto depois de assistir o filme e isso ficará mais claro. Bem como o que eu vou dizer a partir de agora.
Na realidade do filme, as atrocidades sofridas pelos adolescentes têm uma razão de ser (sem spoilers por aqui, fique tranquilo). Na vida real, o motivo dessas atrocidades somos nós, expectadores com um mínimo de sadismo, que se divertem ao ver sangue alheio derramado. Faça paralelos entre as forças que comandam o filme e os expectadores de filme de terror e veremos (além de algumas semelhanças) que o filme tem, na verdade, duas homenagens: os filmes clássicos e neoclássicos de terror, e o estranho comportamento de se deleitar com a dor alheia, que abarca desde os petelecos que o Seu Madruga dava no Chaves, até o facão que Jason Voorhees usou à exaustão nos infindáveis "Sexta-Feira 13".
Eu sou um desses expectadores. Aceito a menção ao meu comedido sadismo como um elogio e prometo seguir assistindo a sangueira. Você também deveria.
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