Tem o
Woody Allen no papel de ele mesmo - como sempre -, o que, por si só, já me levaria
feliz para o cinema. Mas o filme vai além, o que, repito, nem precisava. John
Turturro interpreta um amigo de Woody Allen, que é convencido por ele de
trabalhar como prostituto. Isso.
É
interessante notar como o filme retrata as mulheres enquanto clientes da
prostituição, e não como prostitutas. Distantes da objetividade masculina, elas
tentam se aproximar e seduzir o homem a quem pagam, como se a questão
financeira não existisse. Ainda acho que, em relação a elas, sexo nunca é só
sexo. Elas têm muito a nos ensinar quanto a isso.
Fioravante
(o nome de guerra da personagem) não tenta seduzir, é resguardado (talvez por
isso seduza). E esse distanciamento aparente, apesar de as razões não
serem exploradas pelo filme, tem base numa melancolia quase onipresente que permitirá que ele seja visto como algo maior que um amante pago. Quem sofre
precisa enxergar suas dores no outro; só assim se conforta em saber-se entendido
e, consequentemente, pronto a abandonar a dor que os uniu em primeiro lugar. Bonito ver um amor
assim.
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