Acabei de ver esse filme,
dirigido e escrito por François Ozon. Conta a historia de uma moça saindo da
adolescência (talvez não) que resolve se prostituir, mesmo não tendo nenhuma
das razões que estamos acostumados a entender como suficientes para isso. Não é
pobre, nem foi abusada em nenhum momento.
Sua escolha gerará julgamentos
por parte de personagens e expectadores, mas o importante é que o filme, em si,
não a julga. Aceita que a natureza humana e a sexualidade, um de seus
expoentes mais intrigantes, está além de rótulos.
Dores físicas são fáceis de
assimilar: há o corte, a marca. E cicatrizam a olhos vistos; quando sarar,
acabou-se. A mente de Isabelle, a protagonista cujas dores nos chegam por poucos
indícios, não encontra alívio tão fácil, e a prostituição lhe representa uma
dualidade: o alívio e a opção pela dor que ela conhece e acredita dominar (reconfortante, ainda que
incongruente).
O filme mostra que nem toda
solução redime, e oferece aos homens uma perspectiva pouco usual da sexualidade
feminina, que a gente finge conhecer.
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